Cearense cria projeto que usa inteligência artificial para “conversar” com mortos

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Deibson Silva também é palestrante internacional e escritor e autor de 2 best-sellers: o Decifre e influencie pessoas e Decifre seu talento. (Foto: Reprodução)

Já imaginou poder voltar a conversar com alguém que já se foi? Ou até mesmo fazer uma vídeo chamada? O ousado projeto do cearense Deibson Silva pode proporcionar este momento. O “Legathum” utilizará inteligência artificial para “recriar” uma pessoa que, após a morte, poderá conversar com seus entes queridos.

A inteligência artificial consiste em um ramo da ciência e da informática que tem como objetivo a criação de máquinas inteligentes. Ela se propõe a desenvolver máquinas que tenham a habilidade de pensar e agir como seres humanos, não necessariamente com um “corpo físico”. O projeto tem objetivo de preservar as memórias de pessoas falecidas em vida.

A promessa de vida eterna vem de forma virtual, nos chips de servidores espalhados pela nuvem. Para ter o backup, a startup reúne todos os dados da digital do cliente, como e-mails, chats, redes sociais e fotos para “recriar” uma pessoa virtualmente.

A ideia do projeto começou quando Deibson tinha 18 anos, após a morte de sua avó Francisca Alexandrina. Foi durante uma viagem recente de carro entre Los Angeles e São Francisco que o neuropsicólogo teve o insight, ao relembrar os momentos com sua avó. “Estava pensando o quanto seria importante a gente ter mentores e o quanto a minha avó fez falta para mim. Ela morreu nos meus braços e a partir de então segui sozinho”, contou Deibson ao O POVO.

A saudade pelo ente querido somado à ideia de eternizar essas memórias para que seus filhos pudessem conhecer um pouco da família, resultou no Legathum. Para a iniciativa, Deibson juntou-se com o especialista em Inteligência Artificial e chefe do departamento de ciência e tecnologia da Universidade de Berkeley, Alberto Todeschini, na Califórnia.

De acordo com Silva, as tecnologias hoje existentes já possibilitam a criação de projetos como esse. A etapa final do Legathum é garantir que as pessoas possam conversar com os entes queridos que já se foram, mas até lá o projeto passa por algumas etapas.

Atualmente, pelo menos 12 pessoas (tanto no Brasil quanto nos EUA) estão participando dos testes. Essa primeira etapa, que ficará disponível ainda este ano, consiste na concepção de um aplicativo que promete guardar todas as informações sobre uma pessoa. Após ter coletado todos os elementos necessários, uma espécie de livro biográfico sobre a pessoa é feito e até mesmo um filme sobre sua vida.

“É uma iniciativa que a pandemia só validou tudo que penso e o quanto somos vulneráveis. O ser humano tem um tabu em relação à morte e queremos quebrar esse tabu. A ideia é que você deixe seu legado”, explica Silva. Além dele, a equipe do projeto conta com profissionais de todas as áreas, desde programadores até psicólogos.

A reprodução de imagens e voz (que garante o FaceTime, por exemplo) ainda está sendo desenvolvida. Tudo deve ficar pronto entre 2 a 3 anos, garantiu Deibson ao O POVO. “Depois que a gente divulgou o projeto, as pessoas têm comparado com Black Mirror (série britânica de ficção científica)”, revela. Mas ele contou qual conteúdo tem o inspirado: a série Upload, da Amazon Prime, que mistura ficção científica, romance e humor.

O inventor

Com o projeto, Deibson coloca o Brasil em posição de destaque no setor de inovação e tecnologia. Neuropsicólogo formado pela Faculdade de Medicina da USP, Silva, que é de Messejana, em Fortaleza, estuda o comportamento humano desde 2013. Ele já tem histórico de trabalhos com um software de análise comportamental utilizado por mais de 700 mil pessoas em quatro continentes.

Recentemente, resolveu usar a expertise para montar o Goowit, um aplicativo gratuito de emprego, capaz de fazer o math ideal com 98% de assertividade entre o funcionário e a empresa. “Tenho muito orgulho de ser cearense e acho que o propósito do Legathum é fazer com que qualquer pessoa tenha suas memórias registradas. Imagina quantas histórias morreram nessa pandemia? Todo ser humano que passou por essa terra merece ter sua existência registrada”, conclui o profissional.

Serviço:

Site: https://legathum.com/

Instagram de Deibson: https://www.instagram.com/deibsonsilvaoficial/

Fonte: GABRIELA FEITOSA
O POVO ONLINE

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