CURTAS E BOAS: O lado engraçado de Padre Levi

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Alguns dizem que ele foi folclórico, outros o chamam de verdadeiro, de autêntico. O certo é que Padre Levi Rodrigues foi de tudo um pouco. E com o seu jeito matuto de ser, conseguiu se impor, tanto como padre, quanto como político. Foi prefeito, foi deputado, foi fazendeiro, só não tirou a batina, que soube honrar até a morte.

Bateu no juiz
Por causa do bingo de cinco veículos, promovido em prol da paróquia de Santo Antônio, o Padre Levi Rodrigues acabou agredindo fisicamente um Juiz de Taperoá, Dr. Severino, que determinara a suspensão da publicidade, mesmo depois de ser informado que o evento fora liberado pelo Ministro da Justiça. O diálogo entre o padre e o magistrado, do qual chegou a ser contemporâneo no seminário, foi o seguinte:

Padre Levi – Olá Severino!
Juiz – Severino não! Dr. Severino. Até minha mãe é pra me chamar assim.

PL- Pois não, Dr. Severino, esse bingo aí é meu…
J- Aqui não tem meu nem seu. Aqui tem lei.

PL- Mas eu tenho ordem do ministro.
J- O ministro manda no Rio de Janeiro. Aqui mando eu.

PL- E o governador?
J- O governador manda na capital. Aqui quem manda sou eu.

PL- E o desembargador?
J- Manda no tribunal. Aqui sou eu.

PL- Pois diga uma autoridade, acima da sua a quem eu me dirija, uma vez que eu já fui a Patos, Campina, João Pessoa, Rio de Janeiro e não achei.
J- Não existe.

PL- Nosso Senhor Jesus Cristo, como vai, eu não estava lhe reconhecendo.
J- Você está me desrespeitando dentro da minha casa. Retire-se.

PL- Retire-se o que negro sem vergonha! Eu vou vender cartelas aqui na sua cara e se mandar me prender eu meto-lhe a mão.

O Padre foi aconselhado pelos amigos, a guardar o revólver que sempre conduzia, mas não deixou de autorizar a divulgação, o que irritou ainda mais o Juiz, que mais tarde o procurou em companhia do delegado, lhe dando voz de prisão e tendo em resposta um baita de um soco na cara, desferido pelo braço direito de Levi. Posteriormente, o Governador João Agripino acabou afastando o magistrado de suas atividades.

Tamanho do cachorro
Encrenca política entre os padres não é de hoje. Quando Pe. Levi decidiu disputar a Papo de perudeputação estadual, recebeu pesada oposição do seu colega Pe. Noronha, que era muito conservador. Certo dia, Pe. Levi convocou uma passeata com as mulheres de Patos, pedindo que fossem todas de calça comprida, porque poderia dar uma ventania e levantar seus vestidos.

O Pe. Noronha ficou injuriado, e disparou no sermão dominical: “O Pe. Levi, apesar de pastor da Igreja de Deus, não tem vergonha. Esta história de passeata de mulher com calça comprida é somente para ver o tamanho do cachorro de vocês, viu?”.

Cachorro de governador
O padre Levi iniciou uma briga com o prefeito José Almir, de São José da Lagoa Tapada, onde uma estátua de Frei Damião estava jorrando água e o prefeito, na ansia de faturar com a mídia, jurava se tratar de um milagre. Padre Levi dizia que era tudo mentira, que o Direito Canônico não previa aquele tipo de milagre e daí nasceu a briga. O prefeito chamou o padre de vigarista e o padre, que tinha um programa na Rádio Alto Piranhas, respondeu a ele assim:

-O prefeito José Almir, meus queridos ouvintes, está me chamando de vigarista. Eu respondo a ele baseado na Constituição do Brasil, que enumera as autoridades da seguinte maneira: presidente, ministros, governadores, senadores, deputados federais e estaduais. Prefeito, conforme esse quadro constitucional, não passa de cachorro de governador.

Papo de peru
Em visita paroquial à Fazenda Vaz, no município de Patos, padre Levi Rodrigues recebeu dois carneiros de presente, oferecidos por uma viúva que era sua fã.

Uma beata fofoqueira espalhou pela cidade que Levi estava namorando a viúva, o que foi suficiente para irritá-lo. A partir daí, a cidade inteira passou a comentar o namoro, e Levi achou por bem esclarecer tudo no sermão da missa dominical:

Uma velha fofoqueira, muito sem vergonha, da língua maior do que uma vaca mojada, anda espalhando por aí que estou de namorinho com uma viúva, só porque ela me deu carneiros. Eu tenho a dizer a vocês, para esclarecer o assunto, que mesmo que fosse uma menininha cheirando a leite, eu não queria. Quanto mais uma velha com papo de perú.

Rezar no sanitário
Ao ser perguntado por uma ouvinte do seu programa na Rádio Espinharas se era pecado rezar no sanitário, Padre Levi respondeu:

-Conforme São Mateus, minha filha, o que desce vai para o inferno e o que sobe, para o céu.

Apelo aos santos
Por causa dos sucessivos acidentes de trânsito na região das espinharas, as beatas pediram a Padre Levi para ele apelar pelos motoristas aos santos.

E quem pagou o pato foi São Cristóvão, patrono dos motoristas:

-São Cristovão, aliás, Cristovão, porque você não é santo. Não venha conta mim, que a coisa é diferente, pois tu és um cheleléu e não tem pena dos pobrezinhos dos motoristas e das viuvinhas, coitadinhas, que ficam…

A tripa
Levi não abria mão de uma tripa torrada no seu almoço. Um dia, acabou o estoque e ele mandou o sacristão comprar no açougue de Moisés. Acontece que o Padre estava devendo ao açougueiro, que se recusou a despachar suas tripas. O sacristão voltou com as mãos abanando e ficou na porta da igreja, esperando que Levi terminasse a celebração para dar-lhe a notícia. Coincidiu com a hora do sermão, em que o Padre falava sobre os mandamentos da Lei de Deus:

– … e o que disse Moisés?

-Disse que não despachava as tripas porque o senhor está devendo lá há duas semanas – respondeu o sacristão, para a surpresa dos fiéis.

Ajudante de Nosso Senhor
Irritado com o deputado Edvaldo Motta, pelas frequentes insinuações de que tinha interesse em aderir ao partido governista, o Padre Levi fez um pronunciamento no centro de Patos:

-Está bastante claro o interesse do deputado Edvaldo Motta em me comprometer com o meu partido. Por várias vezes eu apelei, pedi e implorei para que deixe de brincadeira. É a última vez que faço esse apelo. Se ele não atender, não tenho outro recurso. Utilizo o ajudante de Nosso Senhor Jesus Cristo, o meu taurus 38.

Entre as pernas da mãe
Na campanha eleitoral de 72, Padre Levi realizou uma passeata de jumentos, que repercutiu no país inteiro, por conta da cobertura da imprensa.

Ia na frente, comandando a passeata, usando uma batina preta, quando alguém gritou:

-Burra preta!

Levantando o braço direito, respondeu:

Está entre as pernas da mãe, filho de uma puta!

Chapéu com dois buracos
Durante seu programa na Rádio Alto Piranhas, Levi leu uma carta de uma ouvinte, que lhe apresentava o seguinte problema: namorava com um rapaz há dois anos, mas se apaixonara por outro. Acabou o namoro, mas mesmo assim ele insistia em se casar com ela, embora sabendo dessa paixão. Pelo microfone foi dada a resposta:

-Minha filha, vá agora mesmo na feira, compre um chapẽu e faça dois buracos. Dê ao rapaz porque o chifre deve aparecer já…

Dando capim
Uma outra ouvinte enviou-lhe uma carta confessando que seu marido não acreditava em Deus. Resposta do padre:

-Minha filha, ele é um jumento. Burro tapado que deve estar nas profundezas do inferno. Pra lá disso. Dê um feixe de capim, todo santo dia, pro demônio acreditar em Deus. Se afaste dele, porque, se ainda não tem chifres, deve ter patas.

Por: Tião Lucena

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