O estilo de vida americano

O Brasil é uma nação de espertos que reunidos, formam uma multidão de idiotas. (Gilberto Dimenstein)

Francisco Jarismar de Oliveira | Colunista

Uma sociedade que não se enxerga não se descobre, que não se ama tampouco se respeita, que negligencia sua capacidade moral, intelectiva e fraterna, produtiva e autossustentável está galopando em busca do que não lhe pertence, do que jamais terá, do que em se plantando aqui nunca frutificará. Eis a massa brasileira que se nega a sonhar seu próprio sonho e se entrega à fantasia do american dream.

Aos desacordados, um banho gelado; aos insones, um dia mais longo; aos alienados, as primeiras horas do alvorecer da nova era social brasileira. Assim, resplandece no rosto de cada um a luz da desilusão e o que tanto defendia a pátria agora rasteja ao chão. Aos pés do poderoso Trump a soberania brasileira é negociada sem preço, sem troco e sem nenhuma cerimônia em meio a maior tietagem já vista em um encontro diplomático (para nossa perplexidade?).

Estamos imersos em um sonho e fantasia alheios. A cultura do american way life nos é vendida desde a década de 30 do século passado e, nos parece, chegamos ao ponto máximo. Alguém comprou todas as fichas e está apostando até a última delas no sonho do Brasil americanizado. Raul Seixas propôs alugar o Brasil, mas agora o preço caiu, agora é tudo free. “Tá tudo pronto aqui é só vir pegar”. Quanto a nós: “vamo embora dá lugar pros gringo entrar!” Afinal, “os estrangeiros eu sei que eles vão gostar. Tem o Atlântico tem vista pro mar. A Amazônia é o jardim do quintal. E o dólar deles paga o nosso mingau!”

Para os incautos de plantão é pertinente refletir que o american way life, ou estilo de vida americano é sinônimo de estados separados, com legislações distintas e solitários. As relações sociais vão do individualismo doentio à exacerbada competição. O estado mínimo e a disputa por espaço de sobrevivência econômica é um cenário que relega à sorte os que não vivem no american dream, apenas sonham-no.

Talvez, quando um dia compreendermos que cada nação faz sua própria história. Que cada povo é fruto de suas próprias memórias, epopeias, fábulas, mitos e lendas. Que nenhuma estrutura social pode ser transplantada de uma nação a outra. Que é ilusão crer que outros povos tenham as soluções para os problemas sociais por nós criados. Quem sabe, chegando esse dia, desnudaremos que o american dream é um sonho inalcançável para a grande maioria dos norte-americanos e que o american way life é um estilo em que o anfitrião oferece os sapatos para serem lambidos pelo convidado (o mundo viu isso!).

Porém, a maior ilusão é crer que a servidão voluntária seja alternativa a qualquer nação em franca decadência moral e política. A atual situação brasileira é fruto da frustração do povo, da miséria moral da classe política e de um escuso e lodoso judiciário. Paulo Francis nos advertiu que “talvez o Brasil já tenha acabado e a gente não tenha se dado conta disso.”

Contudo, acreditar que lamber as botas da CIA, FBI e do capital financeiro americano irá nos salvar de nós mesmos é o mesmo que cuspir para cima, arregalar olhos e esperar o resultado sem sentir-se humilhado, nem com baixa auto-estima. Por fim, um mantra de esperança: Deus a frente de tudo e Jesus na causa por todos.

Mazinho

Mazinho

Francisco Jarismar de Oliveira (Mazinho) é Licenciado em História pela UFCG; Especialista em Informática em Educação pela UFLA e Servidor Público Federal do IFPB.
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