As “Marias Eduardas” de Jatobá

As “Marias Eduardas” de Jatobá
Atenção ao dobrar uma esquina
Uma alegria, atenção menina
Você vem, quantos anos você tem?
Atenção, precisa ter olhos firmes
Pra este sol, para esta escuridão
Atenção, tudo é perigoso
Tudo é divino maravilhoso
(Divino maravilhoso – Caetano Veloso)

Francisco Jarismar de Oliveira | Colunista

Em países de maioria cristã Maria é o nome mais popular. Dos sete bilhões de humanos mais de um bilhão se chama Maria, quase 10% dos registros na atualidade. Na sua origem hebraica Myriam significa “exaltada”, “forte”, “soberana”. Dentre as mais de setenta outras interpretações históricas para esse nome, seja Miriã, Myriam, Marah, Mrym, Mari, MIréia, Mariana, Marion, Manon nos deteremos a uma Maria, que são duas no mesmo tempo e lugar, e que respondem também por “guardiã e protetora de riqueza ou bens” quando atendem por Eduarda. Maria Eduarda, “Marias Eduardas”!

Em um curto espaço de tempo a recôndita cidade de São José de Piranhas (Jatobá, para os íntimos), encravada no sertão paraibano, oferece a um Brasil combalido o talento de duas de suas filhas. Uma desponta como Jovem Senadora e outra como cantora, como que a dizer que dali, daquele torrão, podem sair representantes dignas para a defesa e deleite da pátria. São meninas que não têm medo e estão prontas para a missão.

“Temos que ser ‘plural’!” Com este título em sua redação, Maria Eduarda Pereira de Oliveira garante e rasga o verbo para os desabridos e coxos das ideias. Em meio a 153.955 redações em todo o país, o brado da tolerância e da necessidade de diálogo entre humanos, fez certeiro o tema meticulosamente exarado pela jovem senadora de família simples, humilde e vencedora de hercúleas batalhas (quem a conhece, sabe do que falo), assegurando-lhe o 1º lugar no Estado e a cadeira no senado federal.

A outra Maria fez cantar um povo entristecido pela corrupção, pelo desmantelo, pelo desvanecimento com as instituições públicas. Mas a brasileira não desiste nunca e a menina Maria Eduarda Brasil Alencar, por alguns momentos, nos fez esquecer as dores nacionais, a estiagem que nos maltrata há anos e nos acarinhou os tímpanos defendendo clássicos do nosso forró em um concurso nacional. O “Xenhenhem” nosso de cada dia fez a diferença na aflautada voz da estrela. Ela que é herdeira e guardiã de um talento familiar denunciado ao cantar “Baião”, de Luiz Gonzaga.

Já disse o poeta “tudo é divino maravilhoso”, mas que “é preciso estar atento e forte” para um recado que emerge do talento de nossas filhas ilustres: o que estamos esperando para estimularmos os nossos jovens a despertarem seus dons? Quanto tempo, ainda, esperaremos que o apadrinhamento político, o encorajamento à esperteza, ao jeitinho brasileiro, faça por nossos jovens o que eles podem fazer, por si próprios?

As nossas Marias nos trouxeram um valioso chamamento: – Me oriente nas minhas descobertas! Me ajude em minhas dificuldades! Me estimule em minhas aptidões! Não me negue oportunidades e pode me pôr à prova! Se sou branca ou negra, pobre ou rica. Se meu cabelo é liso ou crespo, se minha família e da classe C, D ou E, se sou hétero, homo ou trans, não importa! Apenas me reconheça como capaz de desabrochar e encantar o mundo, pelas minhas próprias forças!

Às nossas “Marias Eduardas”, “soberanas guardiãs das nossas riquezas e bens”, dos nossos talentos e vocações, independente das recepções, alegorias e hipocrisias de que a sociedade se alimenta, vai o nosso renovado anseio de que São José de Piranhas tem jeito!

FRANCISCO JARISMAR DE OLIVEIRA (Mazinho)
Licenciado em História pela UFPB
Servidor Público Federal do IFPB

Mazinho

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Francisco Jarismar de Oliveira (Mazinho) é Licenciado em História pela UFCG; Especialista em Informática em Educação pela UFLA e Servidor Público Federal do IFPB.
fjarismar@gmail.com