POLÍTICA

Em discurso na Assembleia, Branco Mendes reafirma sua candidatura e lamenta postura de Adriano Galdino

O deputado Branco Mendes (Republicanos) fez, hoje pela manhã, um discurso contundente na Assembleia Legislativa reafirmando sua candidatura a presidente no primeiro biênio e lamentando a postura do seu até então companheiro de chapa e de partido, Adriano Galdino, que estaria articulando pra ficar com os dois biênios “quebrando um compromisso público assumido” .

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Sem usar meias palavras, Branco foi direto em seu discurso e não deixou dúvidas a quem ele foi dirigido: “Tudo estava caminhando muito bem e em paz, praticamente uma unanimidade jamais vista nesta casa. No entanto, a minha primeira surpresa foi quando o presidente colocou em votação a mudança do regimento interno sobre as regras da eleição da Mesa sem combinar nada comigo. Assim, mudando a data de registro de chapa com deputados que nem assumiram tendo que se inscrever antecipadamente e exigindo o voto aberto. Como se isso não bastasse, colocou em votação a PEC da reeleição, que havia anteriormente afirmado que não colocaria em pauta. Afirmação feita na presença de outros colegas deputados”.

Ao concluir seu discurso e reafirmar sua candidatura , Branco Mendes foi ainda mais incisivo e disse que ​“Foram sucessivas decepções, mas só assim poderei continuar olhando nos olhos de todos vocês e de todos os paraibanos de cabeça erguida. Dormindo de consciência tranquila de que sempre fiz o bem e fui correto e leal em minha trajetória”.

Eis o discurso na íntegra:
“Bom dia a todos os colegas deputados e deputadas desta Casa!

​A primeira palavra é de gratidão a Deus por tudo que Ele me proporcionou nessa vida. A minha história de trabalho e dedicação todos os paraibanos já conhecem, afinal, são cinco mandatos consecutivos. Em seguida, quero aqui hoje reafirmar minha candidatura a presidente no Primeiro Biênio, pois entendo que compromisso firmado é pra ser cumprido e o homem público tem que manter a palavra empenhada.

No decorrer dos últimos dias, tenho sido pego de surpresa com alguns fatos noticiados na imprensa sugerindo quebra de acordos assumidos publicamente. Acordos esses que tiveram a chancela do meu partido, o Republicanos, que me escolheu como candidato; do governador do Estado, que é homem de palavra e sempre tem ressaltado esse compromisso com o Republicanos; e por fim com a grande maioria dos colegas aqui que manifestaram a intenção de votar conosco para presidir esta Casa, chegando a assinar uma lista de apoios amplamente divulgada da imprensa.

Esse comportamento conciliador, que sempre pautou minha trajetória política, contribuiu muito para garantir uma aliança com mais de trinta deputados na chapa que estava firmada, algo praticamente impossível de se obter logo após a eleição e todos sabem o porquê disso.

Desde 2014, quando o deputado Adriano Galdino bateu na porta da minha casa, visando solicitar o meu compromisso e o meu voto para a eleição da Mesa na condição de candidato a presidente, que eu só lhe fiz o bem e tenho sido correto e leal. De lá para cá, foram anos de parceria, eleições e estreita amizade. Inclusive, fui o primeiro parlamentar que abraçou a campanha do seu irmão, o deputado federal Murilo Galdino, inclusive o maior incentivador da minha candidatura à presidência desta Casa.

Posteriormente, resolvemos a nossa questão interna no partido com o colega Wilson Filho, tivemos o aval do presidente, o deputado federal Hugo Motta, a quem agradeço por sua lealdade, correção e compromisso com a palavra assumida de que serei o candidato pelo partido no primeiro biênio. Após a resolução do impasse, comunicamos a decisão da chapa ao governador João Azevedo, por quem tenho respeito e também sei da lealdade com a palavra dada de que cumprirá o acordo com o partido, de que apoiaria o candidato escolhido pelo Republicanos.

​Tudo estava caminhando muito bem e em paz, praticamente uma unanimidade jamais vista nesta casa. No entanto, a minha primeira surpresa foi quando o presidente colocou em votação a mudança do regimento interno sobre as regras da eleição da Mesa sem combinar nada comigo. Assim, mudando a data de registro de chapa com deputados que nem assumiram tendo que se inscrever antecipadamente e exigindo o voto aberto. Como se isso não bastasse, colocou em votação a PEC da reeleição, que havia anteriormente afirmado que não colocaria em pauta. Afirmação feita na presença de outros colegas deputados.

​Talvez alguns estivessem pensando que subi nesta tribuna hoje para renunciar à minha candidatura decepcionado com a quebra de compromissos. Pelo contrário, reafirmo que permaneço candidato, pois penso que a perpetuação de poder não é saudável para nenhuma instituição e a essência da democracia é a alternância de poder.

​A única coisa que temo hoje é não viver muito tempo para desfrutar da agradável companhia do meu netinho Miguel. De resto, eu não tenho medo de nada e de ninguém. Pretendo ser presidente para ser fiel e leal com aqueles que mantiverem o compromisso de apoio ao meu nome para o primeiro biênio de forma pública. Assim, vocês terão um presidente correto, que pretende pensar de forma coletiva, igualitária e no bem de todos os deputados e dos paraibanos de uma forma geral. Não usarei esta Casa para passar por cima de ninguém, pois todos sabem o meu estilo pacato e moderado de ser, mas tem uma hora na vida que não podemos baixar a cabeça sob pena de atributos como lealdade serem confundidos com submissão.

​Foram sucessivas decepções, mas só assim poderei continuar olhando nos olhos de todos vocês e de todos os paraibanos de cabeça erguida. Dormindo de consciência tranquila de que sempre fiz o bem e fui correto e leal em minha trajetória.

Por fim, concluo com as palavras de Leonel Brizola: “A política ama a traição, mas abomina o traidor”. Que Deus tenha misericórdia desta Casa que deve ser tão somente do povo. Sou candidato e não recuarei!
Muito obrigado.”

 

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