Paraíba

Pais querem liberação de empresas para cuidar de filhos doentes

Pais pedem aprovação de projeto de lei“Vem cuidar de mim” é o nome da campanha que os pais de Maria Luiza Sales de Melo, 4 anos, iniciaram há 15 dias. A menina foi diagnosticada com câncer e o casal se viu obrigado a perder dias de trabalho para acompanhar o tratamento da filha. A fisioterapeuta Leila Lira Melo e o funcionário público João Eduardo Melo descobriram que não há lei que assegure o direito aos trabalhadores celetistas, mas apenas a funcionários públicos. O casal pesquisou e descobriu que existe um projeto de lei no Congresso Nacional tratando sobre o assunto, mas que está parado, e decidiu iniciar a campanha para pressionar a votação e sensibilizar as empresas a liberar seus funcionários mesmo sem legislação vigente. Mesmo antes de ser aprovada, por causa da campanha do casal, a iniciativa já está ganhando o apelido de ‘Lei Maria Luíza’.

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Essa campanha está sendo realizada em uma página do Facebook e também por meio de uma petição pública para coletar assinaturas para que possam ser enviadas ao Congresso Nacional. Até o início da tarde de ontem, 3.648 pessoas haviam assinado o documento. Além disso, João Eduardo Melo informou que vários abaixo-assinados foram espalhados em igrejas, órgãos públicos e empresas privadas da Capital, para que aumente o número de assinaturas e o projeto de lei 3011/2011, de autoria do deputado federal paraibano Aguinaldo Ribeiro, seja votado e possa beneficiar a todos, apesar de saber que, caso se torne lei, sua esposa não seja beneficiada. “Nosso objetivo é pressionar o Congresso a votar esse projeto de lei. Essa campanha é também para sensibilizar as empresas a permitirem que os funcionários-pais acompanhem os filhos com câncer ou doenças graves nos hospitais mesmo ainda sem a lei que assegure isso”, afirmou.

Pais pedem aprovação de projeto de lei

O pai de Maria Luiza contou que no dia 12 de maio deste ano a menina apresentava dores abdominais. “Eu e Leila (esposa) desconfiaram que poderia ser uma infecção urinária. Como ela trabalha na área de saúde, levou uma amostra da urina para exame e constatou que não era infecção”, contou. Foi nesse momento que os pais decidiram levar a menina para ser examinada pela pediatra. Ao examiná-la, a médica notou que havia um caroço na região e solicitou uma ultrassom que mostrou que o caroço tinha 8 centímetros e meio. Foi feita uma ressonância que mostrou que tinha 15 centímetros e era um tumor maligno rabdomiossarcama embrionário.

Após ser diagnosticada com a doença, começou o corre-corre contra o tempo para buscar a cura da menina. De maio até agora, Maria Luiza passou três vezes pelo bloco cirúrgico. A primeira foi 11 dias após a descoberta, que seria a cirurgia para retirada total, mas foi impossível pelo tamanho. Em seguida foi necessário implantar um cateter duplo jota e por último, passou por uma biópsia da medula. Dos 60 dias de sofrimento dos pais e da menina, 14 foram na UTI.

“Não tem como você não dizer: Por que com minha filha? É uma criança de 4 anos. Mas Deus tem um propósito. De repente é fazer essa campanha e ajudar muita gente. É uma missão e a gente vai cumprir isso com muita força e garra”, comentou João Eduardo.

“Sempre vi a dor dos outros”

Leila Lira Melo é fisioterapeuta da ala de adultos do Hospital Napoleão Laureano (HNL) e comentou que sempre viu a dor de pacientes com câncer. A mãe de Maria Luiza disse que preferia não visitar a ala infantil porque sabia que o sofrimento era bem maior. “Sempre vi a dor dos outros e me angustiava. Hoje a dor eu vivo vendo a minha filha sofrendo”, revelou. O pai da menina, João Eduardo, comentou que o acompanhamento dos pais é imprescindível no tratamento como provam pesquisas.

Fundação Solidariedade apoia campanha

“Aqui em casa a gente sempre cria brincadeiras para que ela se sinta feliz. É por isso que os pais são importantes no tratamento da criança”, comentou. Ele consegue se ausentar do trabalho por ser funcionário público, mas a esposa não. O Instituto Valfredo Guedes Pereira, do Hospital São Vicente de Paulo, onde Leila também trabalha, é a primeira instituição privada a aderir à campanha e permitir que os funcionários que tenham filhos doentes possam acompanhar no hospital.

Sistema Correio e personalidades apoiam campanha

Beatriz Ribeiro, presidente da Fundação Solidariedade, secretária-executiva do Nós Podemos Paraíba e diretora-executiva do Sistema Correio de Comunicação, confirmou o apoio e a participação do Sistema na campanha. Ela lembrou, inclusive, que João Eduardo Melo é secretário estadual adjunto de Mobilização do ‘Nós Podemos Paraíba’.

Outras personalidades, como o jogador de futebol Hulk; o humorista Nairon Barreto (Zé Lezin) já manifestaram apoio à causa. O Zé Lezin fará um show beneficente no dia 19 de agosto, às 21h, no Espaço Cultural, na Capital. O cachê será revertido à causa de crianças com câncer como a Associação Donos do Amanhã. Além disso, o evento ajudará na divulgação da campanha que pede agilidade na votação do Projeto de Lei e a divulgação da proposta de inclusão na CLT da licença pelo INSS para cuidadores de crianças com câncer e outras doenças graves. A entrada é de R$ 30, preço promocional. O projeto de lei está parado na Câmara dos Deputados Federais desde maio de 2012. Não há data para entrar em pauta e caso o deputado solicitando não seja eleito, todos os seus projetos, inclusive esse, serão arquivados.

Fonte: Jornal Correio da Paraíba

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