Prática televisiva e alienação no Brasil

Mestre em Educação, pedagogo e professor, Giovanny de Sousa (Colunista)

Já fui soldado/ já fui de chumbo/ Já fui casado/com a Miss Mundo/que amava o super-herói/Já fui ferido/pelo bandido/Sorte que a bala não doi/Já fui lata/ Já fui pirata/ na barba Rio-Niterói/ Fiz tanta pose/ pra aquele close/na Apolo II, eu que estou!/Bat-Mandrake/ Já fui Jim Clark/mas o autorama quebrou/Fui o Asterix/o Thor, Tom Mix/Já fui o príncipe Namor/Sargento O’Hara/Guadalajara/ fui eu que fiz aquele gol!/ Predestinado/Sempre o primeiro/que nem na televisão/Fui engenheiroadvogado/formado em computação/Desempregado/ pós-graduado/fui trabalhar de garçom num bar da Zona/Casei com a dona/e à noite toco piston/Todo sucesso/tem seu avesso/só que a Sessão Pim-Pam-Pum/nunca contou a história do supercomum. (Supercomum, Celso Viáfora).

Considero fundamental destacar, inicialmente, que a imprensa no Brasil, é propriedade de apenas sete famílias,concentradoras de todo o poderio da comunicação: Os Marinhos, os Sirotsky, os Brito, Sílvio Santos, os Fritas, os Civistas e os Bloch. Essas famílias formam um profundo bloco de comunicação autoritária, concentracionista e exclusivista, fabricando inclusiva, condições concretas, para que agências de notícias repitam as mesmas informações para todos os Estados deste continente, amordaçado pelo atraso, subdesenvolvimento e dependência.

Conforme Julia Falivene Alves no seu livro a invasão cultural norte americana publicada pela editora moderna: “Bastante popularizada nos USA e na Europa, a TV só seria inaugurada no Brasil em 18 de setembro de 1950.Dez anos depois, o número de televisores aqui já existentes já era de um milhão e oitocentos mil, elevados para 6 milhões em 1970, e chegando a cerca 18 milhões em 1978. Atualmente, é o nosso veículo de Comunicaçãoimportante, atingindo aproximadamente170 milhões de brasileirosdurante um período de tempo bem maior de qualquer um dos outros. Tal como a indústria fotográfica e a radiofônica, no Brasil a TV nasceu sob o signo da de dependência ao capital norte-americano. Finalmente na década de 60 a TV deixaria de ser “brinquedinho de luxo” de uma elite econômica para se tornar o mais importante ramo de nossa indústria cultural” A convergência de outros interesses político-econômicos (nacionais e norte-americanos) se tornaria responsável pelo crescimento do seu Poder de influência na formação de opiniões e modos de ser”.

Partindo deste pressuposto, vamos observar o crescimento de um tipo de comunicação, submetido ao controle, produção, distribuição, materializado pela classe dominante que a converte, descarada e servilmente em instrumentos domercantilismo capitalista. Ás emissoras de televisão, na sua grande maioria, comerciais, com firmeza, reprodutoras de interesses econômicos e projeto político-cultural dos grupos acima evidenciados, continuam viabilizando uma política, não apenas mentirosa como de poderoso conteúdo manipulatório, acorrentando milhares de pessoas a necessidades artificiais, bem cormo, instalando-as na mediocridade.

Não é necessário ser especialista em comunicação social para se entender que o telejornalismo é balizado pela influência da indústria cultural norte-americana. “Adocicado”, de fórmulas repetidas, qualitativamente fragmentado, pobre, reforçado por recursos, nem sempre, de forma estratégica, situados com precisão e estética. Se a visão mudou, a linguagem do seu jornalismo continua a mesma, bem como, os padrões técnicos para o seu feitio e exposição. A orientação seguida pelo telejornalismo é a seguinte, conforme nos revela com propriedade, Júlia Falivene Alves:

“Silenciar ao máximosobre questões de política nacional que possam causarpolêmicas ou descontentamentos. Privilegiar, em contraposição, os esportes, cataclismas, crimes passionais, notícias sensacionalistas etc (aquele “paió de bobagens” que Paulo Ricardo em sua Rádio Pirata, propôs dinamitar).Dar maior espaço as notícias internacionais e, dentro destas, muito mais às dos USA(cerca de 38%, em média)”.

Transmitir os conteúdos das informações de forma a conduzir muito mais ao conformismo do que a reflexão. Divulgar um volume incrível de dados soltos em ritmoultra-rápido, sem dar tempo para o exercício de qualquer atividade mental mais profunda a seu respeito.

Minimizar a importância de movimentos populares, reações anti-imperalistas ou processo revolucionários, ridicularizando-os apresentando-os como acidentes ou reinterpretando-os segundo uma ótica desfavorável.

“Etiquetar” ou rotular tendenciosamente as pessoas envolvidas na política, conduzindo de antemão a simpatias e antipatias conforme os interesses da agência de divulgação.

Utilizar grande volume de imagens que dêem aos telespectadores a convicção de que o que se relata é verdadeiro. Porém as técnicas de filmagem, montagem ou mixagem devem obedecer a determinada orientação ideológica, mostrando apenas a realidade em aspectos parciais. Naturalmente os mais favoráveis àqueles que a transmitem
Dar poucas informaçõesa respeito do terceiro mundo, em geral dele se noticiando apenas desastres, violências, catástrofes e exoticidades, enquanto tentativas ou projetos de emancipação do colonialismo, reações anti-imperalistas, revoluções socialistas, desenvolvimento na ciência e tecnologia ou eventos literários e artísticos mais importantes sãoignorados.

Em poucas palavras, o vídeo apenas projeta para o telespectador aquilo que a grande potência capitalista-imperialista “reza em sua cartilha”, ou seja: alguns povos devem ser “protegidos” e guiados por outros mais competentes, porque, “como crianças desorganizadas, incapazes e confusas”, ainda não conseguiram chegar sozinhos ao ponto em que seus aliados mais adiantados já estão. À massa despolitizada e desmobilizada a TV oferece, em “Contraposição, um canal de evasão – o consumismo – também aqui utilizado contra o comunismo.

Conforme ainda Julia Favilene Alves em sua obra invasão cultural norte americana, a televisão: “estendendo aos trabalhadores gozo dos produtos da modernidade sem no entanto, lhe permitir a percepção do processo de sua exploração, eles tendem muito a desejar participar dos privilégios da classe dominante do que a se mobilizar contra sistema que promove toda nossa desigualdade social”.

Com clareza e objetividade, o “moleque” lúcido e autêntico chamado Gonzaguinha (Encarte do Lp: de volta ao começo – Gonzaguinha da vida EMI-ODEON 1979-1980, que se foi antes do combinado, já nos alertava sobre esta situação, hoje, sofisticada, teoricamente pelos comunicólogos, afirmando em plena década de 80, em seu poema/canção BIÉ, BIÉ, BRAZIL:” TANTO FAZ SE EU CANTAR EM PORTUGUÊS OU INGLÊS, POIS SE MUDOU, FOI DEUS! FOI DEUS! SALVE A MARAVILHA ELETRÔNICA, QUE JÁ RESOLVEU À FOME CRÔNICA, MARES DE ANTENAS DE TV PELO PAÍS, TORNAM NOSSO ÍNDIO MAIS ALEGRE, MAIS FELIZ, E NINGUÉM SEGURA ESTEMILAGRE; ATÉ FRANK SINATRA VEIO A FESTA, POIS ESTE É UM PAÍS QUE FOI PRA FRENTE, MEU BEM, E SE ELE FOI, FOI DEUS! FOI DEUS”. Aqui fica bem equacionada a criativa resistência cultural, contra as tentativas de destruição da identidade cultural de um povo, impedido de construir originalmente sua própria História e ser feliz. É o registro do avanço, desdobramento das consequências do “milagre econômico” produzido pela Ditadura Militar que soube com maestria conduzir e garrotear de forma abominável a imprensa no Brasil, favorecendo aliados mais “brilhantes” como os USA e internamente, o Fuhter Roberto Marinho e outros maquiávelicos “bruchos” da comunicação anestésica deste país, de150 milhões .de desnutridos, sucateados, limitados, para comprender, o avesso da máquina GLOBO, (geradora de bobos, lobos, “Loucos””, ansiosos, anestesiados, consumistas), colorida, “alegre”, criátiva, “iresistível”. Instrumento, “compensatório” para ilusões, necessidades acumuladas e desejos não materializados. A submissão dos subalternos é comemorada com prazer, volúpia pelos nominados.

A Televisão, fruto de um tecnologia avançada, que penetrou em todas às Regiões Brasileiras, se faz presente hoje, nas choupanas, nos palacetes, inserindo-se cada vez mais no contexto das famílias deste país, como intrusa desejável, cultuada, venerada, referendada, não como um complexo eletrônico, mas quase como uma “deusa” que se firmou até como ditadora de normas de conduta, de moda e de hábitos, impondo mudanças de personalidade e até de completo “modus vivendi”, além de afetar o lnter-relacionamento social do indíviduo, desde sua linguagem, opiniões pessoais, opções, até alterar a realidade cultural/social de centenas de comunidades pequenas do Nordeste e Norte ou Brasil. O que são na atualidade as praças públicas, durante o período noturno, nas pequenas cidades do Brasil, se levarmos em consideração a suas existências dinâmicas de 20 anos atrás? Oque a TV tem com relação a “morte” crescente do diálogo no contexto da instituição família? Esta fábrica de sonhos estimuladora das práticas lotéricas, reprodutora de cenas de violências brutais, incentivadora da competição em todos os níveis, minimizadora de frustrações, provocadas pela grave desordem econômica e social vigente, agência de produção e reprodução de discriminações e preconceitos contra as mulheres, negros e índios, não estaria precisando converter-se potencialmente em objeto de nossas análises, questionamentos, denúncias e reinvenção? Oque significa o bem e o mal nas estórias das telenovelas que revelam as próprias novelas da Televisão? e seus slogans e símbolos insistentemente repetidos, interessam a quem?

A TV, é instrumento viabilizador da comunicação social, que caracteriza-se com nitidez por preconizar, na maioria das vezes, a universalização da informação; socializa, despersonalizando; massífica, robotiza, manipula; traduz-se na prática como lmportante sustentáculo do poder econômico e político, (contra os interesses aspirações e utopias das camadas populares); novela as diferenças, escamoteando as desigualdades sociais cruéis e inuma- nas que tornaram o Brasil a 64º Nação do mundo em desenvolvimento social. Tende para a sofisticação (todos os recursos técnicos mais engenhosos, sutis, são manuseados para esta finalidade). Não é a TV em sí que simboliza, sinaliza, e arquiteta mazelas diversas, entorpecedoras da mente/corpo e, por extensão comportamento do indivíduo, mas o uso medíocre, sacana de ideológico deste instrumento de grandeza. Não é nociva ou desnecessária sua existência. Sonegar esta realidade é assumir a postura de avestruz que prefere enterrar sua cabeça na areia para não perceber sua própria calda. Os seres humanos precisam ser estimulados em escala ampliada a repensarem seus universos, práticas, refletirem sobre suas relações com outros, e com os outros, a situarem-se no tempo/história das sociedades, sem permitirem que o essencial de suas vidas seja liquidificados, isto é, triturados por instituições, dirigentes ou qualquer complexos eletrônicos.

A comunicação é alimento essêncial e decisivo para que o homem possa sobreviver, transformar-se e modificaro espaço geo-econômico-político e social em que está inserido. Daí a necessidade premente de uma comunicação televisiva dinâmica democrática, pluralista, participativa, contempladora dos direitos fundamentais da pessoa humana, Não é cabível, aceitável é a televisão de modo sistematizado e contínuo apresentar um produto supérfluo, transformando-o rápido num produto fundamental, Transmudar-se em bazar de vendas de cocô por chocolate, sem colocar a margem desta operação, nem as crianças reais e grandes vítimas indefesasdiante do fascínio exercido pelas “telinhas” multicoloridas, repletadas de hipocrisia e gigantescas ondas de fantasias escravocratas.

A TELEVISÃO X O AMERICAN WAY OF LIFE:O COLONIALISMO CULTURAL INDISFARÇÁVEL E CRUEL
Sãoinúmeros os jovens com os quais trabalho e convivo cotidianamente em João Pessoa (poderia ser em qualquer lugar deste país), detentores de uma vivência cultural arquitetada no americanwayoflife, reproduzido com veemência, arrojo, sutileza e maquiavelica engenhosidade, pelas emissoras de televisão, vinculadas à Globo, SBT e Bandeirantes. A preferência musical gravita em torno quase sempre do A-HA, NEW KID’S THE BLOCK, Scorpions,GunsN’Roses, Elton John, InfromationSociety, James Taylor, Michel Jack- Son, Madonna e similares. “Alistados” com determinação nos cursinhos tipo CCAA que proliferam na cidade de acácias cada vez mais raras, muito fumam hollywood, Free, vestindo camisetas, bermudas e calçando sempre tênis all star, impregnados de estrelas azuis e vermelhas. Nas sacolas, desenhos com o rosto do Sting, Tina Turner, Tom Cruise, porque as baby(s) gostam e, em resumo à okey para “pintar” aquele lance, enquanto “barato” superlegal. A TV está para tais segmentos sociais, comoo oxigênio destinado para ofuncionamento dos nossos pulmões, devoram com ânsia irrefreável os filmes do Silvester Stallone, Batman, Tom Cruise, Madonna, Woody Allen, Kojak, He-Man, Rod Stuarl, Robert Redford, Sean Connery, Roberto de Niro, Batman, Tom e Jerry Spielberg, Tom Selieck, Kevin Costner, Adrian Lyne, PaulMazursky.

Mascando chicletes adam’s,tomando Pepsi ou coca-cola. O headphone está a postos para em seguida, caso haja time e money, curtirem o “som” de mais um STAR que foi visto “de repente” na Penthouse, Playboy, Blzz, Script e Programa Fantástico. Sonham de olhos abertos com ‘aquela viagem de lérias a Disneyworld, Bahamas, Havaí, Pensilvânia, Texas, Califórnia, New York e Las Vegas, pois os USA é demais, inigualável. Por enquanto, alguns, um tanto frustados manuseiam as máquinas de software, sistemas de on-line e, encharcam suas mentes comoarsenal colorido dos quadrinhos de Walt Disney, rodopiando às tardes de sexta-feira, sábado edomingo no Shopping Center, com blusas, saias, calças da Benetton, Speedo, Zoomp, Olympikus, de uma vez que “batem” com as inovation do video-game e play ground e as dicas de love, estabelecidas no moçada que “agita” em circulação, levantando o ““astral” da “galera”, entorpecida por este putódromo televisivo. Os jovens, e cada vez mais ficam de frente para os USA e de costas para o Brasil. Como diz o poeta Milton Nascimento em sua canção.

Conforme Muniz Sodré no seu texto sociedade informática: “A televisão constituí a face tecnológica dessa cultura planetária da tecnocultura”, isto é, a cultura posta por inteiro a serviço da ideologia produção/reprodução do capital econômico.Para o capital, o que agora está em pauta é uma nova etapa do processo acumulativo, baseado num tipo de trabalho melhor definido como de prestação de serviços e de informações do que de fabricação de bens, concorrendo para a degradação o social da forma produtiva tradicional.

Um modo de organização pós-industrial sobrepõe-se, ao tradicional modo de produção. A ele ajusta-se a tecnocullura, que elabora um outro espaço do real, uma telerealidade é apenas um nome para indicar a passagem da sociedade e da cultura à condição de objetos de um gerenciamento cada voz mais reflexivo das relações de mercado e dos recursos legitimadores da produção capitalista. Seu poder consisteno engendramento de uma nova forma social. Isto é, num modo novo de estrutura as relações humanas.Suas linhas de força partem de uma nova ideologia, capitaneada pela organização tecnoburocrálica, que subordina os fins aos meios”.

Este aparato tecnológico avançado (mass-media) que é a televisão, utilizado como instrumento a serviço da difusão acelerada dos produtos industriais e “bombardeio” do americanwayol lite, constitui na verdade uma prática ideológica para a minimização do tempo de venda de mercadorias, portanto para um incremento de seu poder circulatório, cumprindo ainda uma finalidade condenável: a destruição da identidade cultural do povo desta nação submetida a várias formas de espoliação, vilipêndios e mordaças cerimoniosas, praticadas por suas elites.

A TV continua virando e revirando emoções da massa,do público e da opinião pública. Enebriando sentimentos. Gerando comoções e “entretenimentos” destemperados. Vomitando os seus enlatados vai produzindo mares de ilusões em ritmo frenético, “asseguradores”, de “sal “sol”, “pão”, “luz” para milhares de vidas carcomidas qual bagaço do cana nos engenhos, triturados por fortes moendas de ferro. À TV consegue a proeza de subverter o sentido da realidade e prazer, embaraçando e lubrificando as “relações humanas” em “”nossa” sociedade para ; que tudo continue “no seu lugar”, como imagina Benito doPaula, em uma composição imbecilizada. O lixo é luxo e, a violência política e cultural fabricada sem interrupção, invade os lares. E você ainda diz, o que tenho eu com isto?

O CIRCO
Conforme Maurilio Filho Casemiro na sua obra O circo publicado pela O Recado EditoraLtda 1981: Como o “circo” é acessível a vários milhões de “graça”, muitos tem acesso à este. Jovens apresentadores de rostos, mãos, tisionomias, e roupas irretocáveis, cumprindo as pautas”, vaticinam; levante-se, Mexa-se, dance fume, beba, cante, compre, jogue. À TV enquanto referendadora da ordem econômica, política e social, estimula e determina: “esta é uma nova moda; um novo ritmo musical; um novo ídolo; um novo filme; uma nova novela; um novo campeão; um novo divertimento social; um cigarro diferente; um novo costume; mais um futebol; um salto, um salto mais alto; um novo produto cosmético; ganhe mais dinheiro; estes são novos jogadores; mais sexo; uma mesada alta; um vestido e um carro novo; um modelo de “moto”; uma nova seita; mais vaidade: mais status”. Já Chega?

Um pouquinho mais, somente, agora, assista no Fantástico mais um sequestro, terremoto no Japão, tempestade na China, enchente nas Filipinas, a trajetória da Discovery, mais um lançamento da NASA, a instalação de mais uma loja da Mac Donald’s na ex-União Soviética, Show do Justin Bibier, Bárbara Straissand, filmagens em Hollywood, as novas experiências em Parapiscologia, os poderes dos videntes,o homem mais sexy do ano, as fofocas do Presidente, o sorriso esclerosado de Alexandre Garcia, a postura de mosaíco de Cid Moreira, as experiências de laboratórios dos cientistas yankees, o vídeoShock, o lançamento da mais nova música de Stevie Wornider, as maravilhas de Washington, o show das focas anestradas e golfinhos de Oregon, oumelhor ainda; Imagine que você vai ficar igualzinho a Robert Redlord, prestando de “leve” atenção naquela calcinha da valisére que a modelo desejada veste… compre-a, talvez assim, ganhará aquela baby. E jogue, jogue, na Sena, Loto, Loteria, Raspadinha, pois quem espera sempre alcança. Você já não leu sobre Isto na bíblia que um Yankeemormón o entregou?

Está satisfeito com o show da vida? Então, retroceda, um pouco mais em consciência, Mantenha acesa a mania consumista. Tão acesa quanto a pira na praça da Paz em Hiroschima.Compre uma tela LED. Ela vai brilhar e colorir um pouco mais sua sala e vida. Não defina fronteiras entre a realidade e imagem. Isto é bobagem. E faça sempre umaheroificação, mesmo dos que exterminam os meninos em situação rua e os jovens negros. Deleite-se ainda alienadamenteatravés da tv com os “saltadores” de cachoeiras, edilícios e automóveis dos USA. Eles não são fantásticos?
SAFADEZA GENERALIZADA

“No Brasil, o sistema de comunicação funciona sem o povo e contra o próprio povo. AÀ nossa politica de comunicação se constitui numa articulação muito forte e muito bem feita entre a burguesia e o Estadopara que os privilégios daquela cresçam sob a tutela deste. Ao povo sobram os pequenos meios de comunicação cuja eficácia,na minha opinião, deve ser melhor estudada e não simplesmente afirmada. Os grandes meios de comunicação torna-se instrumentos a serviço dos grupos econômicosdominantes. Uma sociedade como a nossa, caracterizada por profunda desigualdade entre as classes, serve-se dos meios de comunicação social para reforçar a dominação dos poderosos e a passividade e o conformismo dos oprimidos. O serviço público não pode ser propriedade de ninguém, no entanto, mais de 130 deputados e senadores constituintes, ou seja, um terço do Congresso Nacional, é proprietário de estações de rádio e canais de televisão. Se o serviço é público, então é preciso assegurar o direito do povo de se comunicar pelo rádio e pela televisão para se defender, para denunciar os abusos e para, própor soluções para os seus problemas. Só assim teremos instalada uma verdadeira comunicação popular. Aliás, o que mais me admira nessa Nação e como os que realmente detém o poder, hipocritamente falam do povo e desrespeitam o povo. É uma safadeza generalizada, uma falta de hombridade e de vergonha na cara. É preciso quebrar o monopólio da comunicação em mãos da burguesia. É preciso neutralizar o controle autoritário dos canais de televisão, controle que está virando uma verdadeira poluição cultural, é uma vergonha, uma cupinchada, um nepotismo que não tem cabimento. Somente com a construção de uma sociedade justa, fraterna, solidaria e igualitária,teremos uma política de comunicação voltada para o povo.

Aqueles que realmente utilizam a televisão e outros meios de comunicação de massa para a sua promoção pessoal, realizando poluição sonora, visual e, veiculando torpes ideologias, prestam um real e grave desse serviço, principalmente a juventude e aos trabalhadores brasileiros. A televisão necessita se emancipar de tudo que contradiz a vontade autêntica do povo brasileiro, convertendo-se, portanto, em agência transmissora de informações honestas, completas, elucidativas das causas e consequências dos fatos. As relações fundamentais que unem o indivíduo a seu meio e os indivíduos entre si, carecem de um tratamento ético, correto, científico. Cumpre a televisão, ser fonte de informação verbal e visual, para a promoção da paz, felicidade, superação das contradições econômicas, politicas sociais e, não, funcionarenquanto oceano de miséria, escalonadas em minissérie,telenovelase espetáculos circenses produtores de doenças mentais e outras manifestações não menos degradantes para o tecido social e Democracia, carentes de reinvenção.

Sem a pretensão de ter evidenciado a rica, complexa e mutável estrutura organizacional/funcional da televisão e suas repercussões na vida nacional, integralmente, prefiro continuar também alimentando a percepção que se traduz em compreensão: “À TV tem um papel predominante ao manipular as classes trabalhadoras a pensar e agir como a classe dominante. A TV no Brasil pode ser chamada de MÁQUINA DE FAZER IGNORANTES POLÍTICOS”.

GIOVANNY DE SOUZA LIMA

Giovanny de Sousa Lima

Giovanny de Sousa Lima

Giovanny de Sousa Lima é Mestre em Educação pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB); especialista em Educação em Direitos Humanos e para os Direitos Humanos, também pela UFPB; psicólogo educacional; pedagogo; professor do Ensino Médio e do Ensino Superior em instituições da rede privada de João Pessoa, nas últimas três décadas; e ex-professor da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB).Também é escritor e radialista.

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