E o salário, ó…

“Nada debilita mais a inteligência do que a obstinação orgulhosa na astúcia fracassada.” (Olavo de Carvalho)

O texto é simples, curto e de fácil compreensão, até mesmo para o mais obtuso leitor. O governo federal institucionalizou a cruzada contra os trabalhadores. A massa que gera a riqueza do país está fadada ao retorno à miséria social, à mendicância salarial, à fome (em pouco tempo) e a indigência. Tudo isso sobre os olhares dos “astuciosos” outros trabalhadores que acham que varreram do Brasil os comunistas, esquerdistas, socialistas, nazistas e todos os “istas” que eles em sua boçalidade entendem ser a mesma coisa.

Resumamos os fatos: a participação dos trabalhadores na partilha do PIB ao final de cada exercício financeiro é uma luta de décadas e um merecimento justíssimo. Os militares diziam – na interlocução do poderoso ministro Delfim Neto – aos nossos pais que era necessário “o bolo crescer para depois repartí-lo”. Nunca recebemos sequer as migalhas desse bolo. Herdamos, isso sim, a dívida externa com o FMI. Quem  foi criança na década de 80 lembra que já nascíamos devendo aos americanos.

Somente em tempos recentes, e após muita luta dos movimentos sindicais, é que conseguimos sentir o gostinho do crescimento do Produto Interno Bruto em nossas vidas. Esse fato se dá a partir de 2004, de fato e se consolida em 2007, de direito. De lá prá cá o salário mínimo cresceu 283,85%  e a inflação 120,27%, um ganho real de 163,58% em favor do assalariado. Em outras palavras, o salário que era R$ 260,00 no dia 01 de maio de 2004, hoje é de R$ 998,00 e teve sua data base antecipada gradativamente para dia 01 de janeiro. Algo nunca visto na história desse país! Doravante esse quadro marcha para uma inversão com a provável aprovação da nova LDO do capitão.

Sancionada a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias), estaremos de fora dos lucros que iremos produzir. Continuaremos a trabalhar (os que não estão inclusos no crescente 13 milhões de desempregados), mas os lucros serão rateados (agora mais que nunca!) entre os banqueiros e o mercado financeiro internacional. E trabalharemos ainda mais se aprovada a reforma da previdência, além do martírio em não termos mais concursos públicos para as novas gerações, segundo o capitão. Esse o quadro para o futuro dos trabalhadores brasileiros e seus filhos.

Mas existem aqueles assalariados que ainda aplaudem essas ações, talvez por não saber o que fazer com a decepção, com a frustração, ou quem sabe por o discurso odioso de campanha ainda ecoar em suas mentes, sem lhes deixar um espaço mínimo de introspecção para lidar com a vergonha e a responsabilidade a assumir. Ou quem sabe, no limbo em que se encontram, a insônia lhes tire qualquer postura sensata ante o desarrazoado governo do caos. Afinal, “nada debilita mais a inteligência do que a obstinação orgulhosa na astúcia fracassada.” Já disse o “sábio mentor” Olavo de Carvalho.

Contudo, sou adepto do “guru” Paulo Freire no entendimento de que “desrespeitando os fracos, enganando os incautos, ofendendo a vida, explorando os outros, discriminando o índio, o negro, a mulher, não estarei ajudando meus filhos a ser sérios, justos e amorosos da vida e dos outros” e nem construindo uma nação melhor.

Pois bem, as nuvens negras se aproximam. Mas por esta Semana Santa serviremos, ainda, o bacalhau. Nas próximas, talvez, devamos nos contentar com uma “malassada” de sardinha ao vinho Padre Cícero.

Francisco Jarismar de Oliveira (Mazinho)

Jarismar Oliveira (Mazinho)

Jarismar Oliveira (Mazinho)

Francisco Jarismar de Oliveira (Mazinho) é Licenciado em História pela UFCG; Especialista em Informática em Educação pela UFLA e Servidor Público Federal do IFPB.

fjarismar@gmail.com