Depois das eleições

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A previsão do que vai acontecer depois das eleições é impossível definir, mas com base nas eleições passadas, a cobra vai fumar, o bambu vai descer no lombo no sentido figurado, e as cenas de tristezas e decepções deverão acontecer. A alegação da pandemia do coronavírus será o principal motivo apresentado pelos novos gestores como forma de não atender às promessas de campanha. E claro e evidente, que a maioria dos eleitos vão se comportar como nas eleições passadas, se foi reeleito muitos deles continuam com a mesma equipe de trabalho ou faz pequenas mudanças, se for um novato e principalmente adversário do atual, vai formar uma nova equipe de trabalho, abrigar seus parentes próximos e os amigos mais chegados. A maioria dos eleitos se empolga com o cargo e começa a esquecer da pobreza que é formada pela maior fatia dos eleitores que lhe deu a vitória, troca de carro, coloca um fumê bem escuro no para-brisa e muitos deles até se mudam para as cidades vizinhas. Apesar de não ser uma regra, mas a tendência da grande maioria dos eleitos é se comportar com as mesmas tradições do passado, principalmente se receber orientações dos veteranos mafiosos. Todos sabem que é muito diferente o que diz um político durante a campanha e o que ele leva para a prática administrativa, costuma de forma figurada ter a doença de Alzheimer quando assume o poder. Na campanha chega à casa do eleitor lhe chamando pelo nome, depois de eleito nem lhe conhece, são algumas das práticas mais comuns que deverão ser utilizadas pelos novos gestores.

Com salários elevados em comparação a outros funcionários públicos, os senhores prefeitos, vice-prefeitos e vereadores terão a partir de 2021 além de um bom salário, terão outras vantagens que oferece o cargo e na maioria das gestões somente Deus sabe o que vai acontecer, a população paga muitos impostos para manter principalmente os políticos com todas as mordomias e privilégios. O que vem de retorno para o povo em geral que representa a maior fatia da população é menor do que é direcionado para os gestores e legisladores deste país chamado de Brasil. Não é atoa que um prefeito faz campanha uma média de 45 dias corpo a corpo, passando por humilhações, desabafos dos eleitores e outras cenas desagradáveis.

Segundo comentários de rua, muitos prefeitos gastam fortunas, o que ele vai receber durante quatro anos de vencimentos não chega a 10% do que gastou na campanha, apesar de existirem leis que limitam os gostos, mas a fiscalização por parte da justiça só acontece quando tem uma denúncia, e por falta da mesma, então os políticos deitam e rolam mesmo de forma clandestina. A justiça eleitoral pune seriamente quem pratica o uso do poder econômico, mas só entra em ação quando recebe uma queixa. Nessa última campanha, graças aos meios virtuais disponibilizados pela justiça eleitoral, muitos políticos se deram mal, foram punidos e pagaram multas elevadas.

Vamos falar da provável prática que deverá acontecer, principalmente para os eleitores que votaram esperando benefícios depois das eleições, os eleitos vão assumir a partir de janeiro de 2021, o resultado para uma pequena minoria dos eleitores será elegante, mas para outros uma decepção. Aqueles que brigaram com o vizinho por que ele votava em outro, se o seu candidato foi eleito e não chegar junto como vai ficar a sua situação, sem nenhuma dúvida terá uma grande decepção. Não é nenhuma previsão o que eu estou citando aqui, são fatos que vão acontecer com toda certeza em nosso imenso Brasil.

Pedir a Deus que em 2021 a covid-19 tenha desaparecido no Brasil, se ainda tiver pelo menos um pequeno rasto, muitos eleitos vão se utilizar do tal vírus para não cumprir promessas de campanhas. Como a vergonha da maioria dos gestores acabou, é claro, não cumprir promessas de campanha é um fato natural no Brasil. E isso só muda um dia se o povo se organizar e aprender a votar. A maioria dos eleitores no período de campanha age de forma individual, recebem propinas às escondidas e se torna um corrupto igualmente ao candidato fornecedor. O eleitor termina votando em pessoas erradas, em pessoa que já administrou e foi um péssimo gestor, esses chamados profissionais da política usam de sua artimanha e voltam ao poder, muitos candidatos usam o poder econômico às escondidas e muitos eleitores acreditam nas suas conversas, recebem ajudas financeiras, uns por que não têm um bom caráter e outros por que a sua situação financeira no momento, muitas vezes o obriga a receber ajudas paliativas, são conversas que se ouve pelas ruas, o pior, e com base na emoção, muitos eleitores recebem ajudas financeiras em dinheiro ou materiais como: pneus para carro e motos, materiais de construção, pedem para pagar contas de água e luz atrasadas e outras despesas pessoais, no final terminam elegendo pessoas que não tem compromisso com o bem comum da coletividade. São culturas pessoais que dificilmente vão mudar em nosso Brasil de Cabral.

Por Francisco Inacio Pita

Francisco Inacio Pita

Francisco Inacio Pita

 

Francisco Inácio de Lima Pita é Radialista e Professor Licenciado em Ciências e Biologia pela UFPB e UFCG respectivamente. Atualmente é professor aposentado por tempo de serviço em sala de aula, escritor dos livros CONCEITOS E SUGESTÕES PARA VIVER BEM O MATRIMÔNIO, AS DROGAS E A RETA FINAL DA VIDA E VARIAÇÕES POÉTICAS e tem outros livros em andamentos, mora atualmente na cidade de São José de Piranhas – PB. Produz e apresenta todos os sábados o Jornal Terra News pela Rádio Terra Nova FM, 88.7 MHz.

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