Polícia investiga morte de transexual após aplicar silicone em clínica clandestina; ela era natural de Cajazeiras e morou São José de Piranhas

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Mulher morre após aplicar silicone industrial, em João Pessoa — Foto: Movimento em Defesa dos Direitos Humanos LGBT de Cajazeiras-PB/Reprodução

A Polícia Civil está investigando a morte de uma mulher após a aplicação de silicone industrial. Maísa Andrade morreu nesta quarta-feira (5), no Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa, e teria feito o procedimento em uma clínica clandestina no bairro do Varadouro, segundo um amigo da vítima.

De acordo com o delegado de homicídios, Carlos Othon, a Polícia Civil foi até o Hospital de Trauma ainda na quarta-feira e requisitou o exame cadavérico da mulher. Além disso, alguns depoimentos foram prestados à polícia e as informações iniciais estão sendo apuradas. O delegado preferiu não informar quem prestou depoimento nesse momento para evitar a exposição das pessoas.

De acordo com a assessoria do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Maísa Andrade foi socorrida na terça-feira (4) com taquicardia, hipertensão, vômitos e convulsões. Apesar de estar desorientada, ela ainda estava consciente e informou aos socorristas que tinha aplicado o silicone industrial.

O amigo da mulher – que preferiu não ser identificado – relatou à TV Cabo Branco que ela passou mal durante a aplicação do silicone na clínica clandestina e foi socorrida pela pessoa que fazia o procedimento. A aplicação foi realizada na perna de Maísa, segundo ele.

Ela foi levada para o Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa e morreu na madrugada desta quarta-feira (5). A direção da unidade informou que foram feitos todos os procedimentos possíveis para tentar reanimar Maísa e que a possível causa da morte foi embolia pulmonar causada pela aplicação do silicone industrial. O corpo saiu do Hospital de Trauma na noite da quarta-feira e foi encaminhado para o Instituto de Perícia Científica (IPC).

Maísa Andrade era mulher trans, natural de Cajazeiras, mas morou alguns anos durante sua infância na cidade de São José de Piranhas e depois retornou para a Terra do Padre Rolim. Ela viajou de Cajazeiras até João Pessoa para realizar a aplicação de silicone.

O Movimento em Defesa dos Direitos Humanos LGBT de Cajazeiras-PB emitiu uma nota de falecimento, lamentando a morte dela. Confira a nota:

Nota de Falecimento do Movimento em Defesa dos Direitos Humanos da População LGBT de Cajazeiras-PB
“É com profunda tristeza que o Movimento em Defesa dos Direitos Humanos de Cajazeiras-PB, vem informar aos amigos/as, aos nossos militantes e à nossa base social, o falecimento da companheira Maísa Andrade, na manhã do dia 5 de Fevereiro de 2020.

O Movimento LGBT se despede dessa guerreira e dá continuidade ao seu legado, transmitindo todo o aprendizado de seus atos para as próximas gerações”.

Por G1 PB

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